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Deixei em aberto para pensarmos no bom senso

No amigo secreto deste ano, optei por não estipular um valor máximo para os presentes. Não foi descuido, tampouco falta de organização. Foi uma escolha consciente. Em um mundo cada vez mais regulado por números, tabelas e limites impostos, deixar algo em aberto é quase um ato de confiança e uma resistência silenciosa.

Não fixar um valor transfere o centro da decisão do bolso para a consciência. O critério deixa de ser financeiro e passa a ser ético. Quanto vale o respeito? Quanto pesa a consideração pelo outro? São perguntas que não cabem em cifras, mas que revelam muito sobre quem responde.

Imagina o desconforto de quem ganha um presente caro enquanto o seu foi modesto, ou o contrário. O bom senso não é ausência de regra; é a regra internalizada. Ele exige leitura do contexto, percepção do coletivo e responsabilidade individual. Exige maturidade. Não se trata de dar mais, nem de dar menos, mas de dar o que é justo dentro da realidade compartilhada.

Quando tudo está escrito, pouco se pensa. Quando algo fica em aberto, revela o caráter. E talvez seja exatamente isso o mais valioso desse gesto: permitir que cada um mostre, sem discursos, o quanto compreende que viver em grupo é, antes de tudo, um exercício contínuo de equilíbrio. E você, o quanto equilibra?

Douglas Calvis Crelis

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