A Balada do Caboclo e da Paraguaia
Um dia fui passear nas terras de Mato Grosso do Sul,
ó terra de moças tão belas,
beleza que reluz como o sol a brilhar no azul.
Se eu não fosse caboclo sabido e calejado,
já tinha ficado por lá,
com uma paraguaia ao meu lado,
feliz e apaixonado.
Saltamos em Corumbá, na chegada do vapor,
e foi no meio da multidão
que uma paraguaia me lançou o seu amor.
Da bolsa tirou um cartão,
com doçura veio me entregar,
e nele dizia em letras firmes:
“Meu bem, contigo preciso falar.”
Conversei com aquela donzela,
que logo se declarou:
“Caboclo bom brasileiro,
teu olhar me dominou.
Por ti, brasileirito, guardo no peito uma paixão,
casemos e sejamos felizes,
e vamos morar em Assunção.”
Mas a vida é dura estrada,
e com dor tive que explicar:
“Paraguaia, meu encanto,
me perdoe, eu vou voltar.
Não posso contigo casar.”
E na hora da despedida,
foi triste a separação…
Levo comigo esta mágoa,
e guardo, linda paraguaia,
pra sempre no coração.
Poema de Irwing Ferreira, Academia de Letras do Brasil / Seccional Campo Grande-MS.